#7- A Neurociência por trás das Técnicas de Redução de Erros Críticos

Hoje temos provas consistentes da importância da Neurociência na mudança de hábitos. Então, este artigo das Mudanças de Paradigmas aborda que com repetições e histórias suficientes, as pessoas realmente começam a compreender os momentos de perigo em suas cabeças, como se estivessem em um filme, quando a música muda e você sabe que algo ruim vai acontecer.

Bem-vindo novamente. Na último artigo discutimos o conceito de Conscientizar-se no Estado, a importância de aprender como ativá-los rapidamente, ou rápido o bastante para evitar cometer um erro crítico; em outras palavras, temos que treinar a mente subconsciente. Também discutimos a importância de envolver ou usar a mente subconsciente para evitar lesões, desenvolvendo o hábito de manter os olhos na tarefa, de modo que se nos distrairmos, ainda teremos, provavelmente, o benefício dos nossos reflexos. Hábitos e reflexos não são coisas que estão sob o controle da nossa mente consciente, eles são ambos dominados pela mente subconsciente. É neste ponto que estra a neurociência.

Até pouco tempo atrás (nos últimos 10 anos ou algo assim), cientistas e psicólogos podiam apenas especular sobre qual parte do cérebro estava sendo usada, mas somente após a criação da Imagem por Ressonância Magnética que eles puderam confirmar suas teorias.

Eu creio que é interessante a forma como a neurociência e as Técnicas de Redução de Erros Críticos (TREC) estão alinhadas, ou como a neurociência apoia ou valida as Técnicas de Redução de Erros Críticos.

As TREC foram criadas no final da década de 90, muito antes dos avanços da neurociência, e quando expliquei para o meu pai, que é um engenheiro, sobre as TREC e a Neurociência, ele me disse que este é um dos grandes exemplos de “fechar a porteira depois que o cavalo escapou” que ele já tinha visto.

E ele tinha razão. Mas ainda tem mais. A ciência sempre nos ajuda quando se trata de ceticismo. Vamos dar uma olhada na ciência enquanto analisamos as quatro TREC. Duas das quais já discutimos: Melhorar os Hábitos, ou trabalhar nos hábitos relacionados com a segurança, e Conscientizar-se dos estados (pressa, frustração, cansaço) ou da quantidade de Energia Perigosa, para não cometer um erro crítico.

Obviamente, usar essas duas TREC tem que acontecer rapidamente. Mesmo que leve uma fração de segundo, já pode ser tarde demais. Para isso aconteça, para que nossos reflexos sejam suficientemente rápidos, precisamos usar a mente subconsciente. Pois a mente Consciente, antes de tomar uma ação, precisará analisar, raciocinar, e isso pode levar algum tempo.

No entanto, treinar a mente subconsciente não é rápido, exige reflexão e repetição. O problema é que nem sempre nos sentimos estimulados para treinar o subconsciente. Um exemplo é aprender matemática, nem todo mundo se sente motivado.

Para dar um exemplo de velocidade, repetição e do poder da mente subconsciente, responda a seguinte pergunta o mais rápido possível: Quanto é 3 x 4?

Você provavelmente já tem a resposta em sua cabeça antes de ler aqui. São 12. É assim que a sua mente subconsciente é rápida. Mas quantas repetições foram necessárias para que isso se tornasse rápido? Ou para que você não tivesse que pensar a respeito?

A mente subconsciente é muito confiável, praticamente não comete erros… Agora tente 13×14.

Como no exemplo acima, você provavelmente poderia fazer o cálculo mentalmente, mas não antes de ler a resposta, que é 182… ou antes de se machucar seriamente em uma colisão de veículo automotor na rodovia, ou cair da escada no trabalho. É assim que a ativação dos gatilhos mentais deve ser rápida. A repetição é a chave para treinar seu subconsciente. É como alguém caminhado sobre um gramado. Não muda muita coisa. Mas se duas ou três pessoas passarem por ele, e depois vinte ou trinta, logo você terá um caminho, e à medida que mais e mais pessoas passam por ele, vai ficando mais amplo. Ocorre o mesmo com os caminhos neurais. Quanto mais se repete, mais rápido se torna. E assim como um caminho em um gramado, não importa o quão inteligente são as pessoas que estão caminhando, são apenas as idas e vindas – as repetições. O que você está tentando alcançar é aquela “sensação instantânea de perigo” que você tem quando vê uma cobra ou olha para baixo desde um penhasco muito alto. Essa sensação de perigo também tem que acontecer – assim que começar a se apressar, assim que começar a sentir-se frustrado e assim que começar a sentir-se cansado.

Tal como a formação de um caminho no gramado, a chave é a repetição: fazer com que as pessoas continuem associando a pressa, frustração e cansaço ao risco, para desenvolver aquela sensação subconsciente de perigo – que nos traz de volta ao momento, para que possamos usar nosso cérebro consciente para manter nossos olhos e mente na tarefa. Assim, mesmo que não haja atalhos para treinar seu subconsciente, com relatos e repetições suficientes, você pode aprender como ativar os gatilhos mentais com rapidez o bastante para evitar um erro crítico.

Quem dera fosse tão fácil com a complacência. A complacência é diferente da pressa, frustração ou cansaço, pois você não consegue percebê-la muito facilmente no momento. É algo que acontece ao longo do tempo.

À medida que você se acostuma com algo, como dirigir a 100 km/h, embora haja muita energia perigosa, nos acostumamos com isso muito rapidamente. E assim que o medo e a habilidade não estiverem mais o preocupando, sua mente pode vagar. Não damos permissão à nossa mente para que nosso subconsciente assuma o controle. Então, não podemos realmente evitar que a complacência guie nossa mente para longe da tarefa. Mas, como mencionado anteriormente, podemos encontrar maneiras de trazer nossa mente de volta à tarefa com rapidez e eficiência. E é aí que entra a terceira técnica de redução de erros críticos.

COMBATENDO A COMPLACÊNCIA

Assim que as coisas se tornam muito familiares, elas tendem a ser “filtradas” por uma parte do seu cérebro chamada Sistema Ativador Reticular (ou S.A.R.). Sua finalidade é filtrar o ruído no ambiente, como os pássaros nas árvores para que você possa ouvir o barulho de uma cobra na grama, para que possa sair da linha de fogo. Embora isso possa ter sido uma boa coisa há 60 ou 100 mil anos atrás, não é de grande ajuda para dirigir numa rodovia de alta velocidade e tentar permanecer vigilante. Então, falamos sobre hábitos como deixar uma distância segura ao dirigir para ajudar a compensar a complacência, que leva a mente para longe da tarefa. Mas se você estiver dirigindo e perceber alguém o seguindo muito de perto, você se verá checando quase automaticamente a sua própria distância de segurança. Assim, levando esta ideia um pouco mais a fundo, se observamos os outros, buscando padrões de riscos de estados que conduzem a erros. Cada vez que vemos um, vamos pensar sobre o risco, o que nos fará pensar sobre nós mesmos e no risco do que estamos fazendo. E se praticarmos a observação destes quatro padrões de estados que conduzem a erros o suficiente, seria como treinar nosso S.A.R. para acender sempre que vemos um. Por isso, o S.A.R. não é de todo ruim, porque você também pode treinar seu S.A.R. para ver ou encontrar o que deseja selecionar do ruído.

Figura #2

Infelizmente, algumas pessoas só usam esse talento para encontrar lojas de bebidas ou a sua lanchonete favorita, e eles podem fazer isso muito mais rápido que os outros que não prepararam ou treinaram seus S.A.R. para procurar por estas coisas. Você pode tentar consigo mesmo: basta procurar por qualquer coisa que você vê que seja vermelha antes de sair de casa. Diga em voz alta o que é ao ver cada coisa ou item. Agora, preste atenção em quantos carros vermelhos você percebe quando começa a dirigir. Assim, desde que você faça um pouco de esforço, você pode treinar seu S.A.R. para procurar padrões de risco. E, uma vez que comece a vê-los, você os verá em todos os lugares. Isso realmente ajudará a manter seus olhos e sua mente na tarefa ou, em outras palavras, as TRECs o ajudarão a combater a complacência.

A última TREC que precisamos cobrir é Analise Quase Incidentes e Pequenos Erros – para que você não tenha que se preocupar com os grandes. O princípio básico aqui é que existem muitas lesões pequenas ou quase incidentes em comparação com os ferimentos graves, mas todos são causados pelo mesmo padrão de estado que conduz ao erro. Então, se pudermos aprender com os gratuitos, não precisaremos sofrer com os graves (ver Figura 1). Sempre quer você cometer um erro, esbarrar em algo, ou perder momentaneamente seu equilíbrio – mesmo que você não caia – pergunte-se por quê. Foi um estado como a pressa, a frustração, ou o cansaço cujo gatilho mental você não ativou? Ou foi a complacência levando a sua mente para longe da tarefa? Se foi complacência, então você provavelmente precisa trabalhar para melhorar um hábito relacionado à segurança, ou você precisa fazer um esforço maior para observar os outros em busca de padrões de riscos de estados que conduzem a erros. Portanto, esta é a base ou a parte fundamental desta técnica, mas outra parte desta técnica é pensar sobre como este quase incidente ou lesão mínima poderia ter sido pior. Ao contemplar os piores cenários, os caminhos neurais são criados em nossos cérebros, o que eventualmente nos dará aquela sensação quase instantânea de perigo. Então, fazer com que as pessoas relatem situações sobre lesões e quase incidentes que aconteceram com elas, os estados e os erros críticos envolvidos, e fazer com que pensem em como isso poderia ter sido pior não é fomentar o medo. É, na verdade, usar a neurociência a nosso favor.

Em vez de sempre ter que experimentar a dor em nós mesmos, podemos simplesmente pensar sobre isso quando ouvimos relatos de outras pessoas – e isso funciona muito bem. Então, você sabia que poderia usar a sua imaginação para ajudar a evitar lesões graves? (Meu pai não sabia). Como você pode imaginar, é uma grande mudança de paradigma para muitos gerentes e profissionais de segurança que não conseguem entender por que estamos perdendo tempo fazendo os trabalhadores contarem histórias sobre seus ferimentos acidentais graves e a dor/inconveniência que causaram. Estas são geralmente as mesmas pessoas que ainda voltam ao paradigma dos “riscos e custos irrecuperáveis”. Então, para elas, há algumas boas notícias, porque usar a sua imaginação não custa dinheiro.

Em resumo, existem quatro Técnicas de Redução de Erros Críticos para lidar com as lesões na Área Pessoal (mais de 95%). Estas técnicas são apoiadas pela neurociência, o que prova, entre outras coisas, o por que você tem que investir um pouco de tempo e esforço nas quatro TREC. Assim como abrir caminho na mata, uma grande quantidade de repetições é a chave para construir o caminho neural, também para mantê-lo a fim de que não se desgaste ou desapareça. Assim como um instrumento musical que você não toca sempre ou um idioma que você não fala há muito tempo, estes caminhos neurais também vão se enfraquecendo se você não continuar a usá-los. Podemos aprender muito com a neurociência. Especialmente no que se refere à complacência, aos hábitos e à forma como a pressa e a frustração podem sobrepor-se aos bons hábitos.

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