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Prática Vs. Teoria
#2

#2 Lesões Registráveis x Lesões Graves e Fatalidades (SIFs): Por que só as Registráveis Diminuíram?

por Mackenzie Wilson / Resumo dos Painéis de Especialistas SafeConnection

Já é do conhecimento geral que o índice de Lesões Graves e Fatalidades (SIFs) não diminuiu da mesma forma que o índice de Lesões Registráveis. Existem muitas teorias que tentam decifrar o motivo, porém, isso ainda é uma questão que a maioria das empresas lida diariamente. Mas por que isso acontece? Será que as teorias são falhas, falta alguma coisa ou não estamos trabalhando no sistema corretamente? Para responder a esta pergunta, Larry Wilson, autor do SafeStart e moderador do painel SafeConnection, convidou palestrantes internacionais para discutir os incidentes registráveis, lesões graves, fatalidades e descobrir o que esses especialistas fizeram para resolver esses problemas. Segundo ele, o que não falta nas empresas são exemplos que nos sirvam de aprendizado.

Será um problema organizacional?


Independentemente da nacionalidade, todos os palestrantes reconheceram que existe uma ocorrência maior de SIFs do que lesões registráveis. “As lesões registráveis são uma medida usada pela maioria das empresas, por isso são mais visíveis em diferentes organizações”, apontou T.R. Murali, chefe de HSE na FLSmidth Índia. “Estávamos tendo um ótimo desempenho com reduções anuais de lesões registráveis, mas de repente surgia uma fatalidade ou um grande incidente”. David Bianco, Gerente Global do Programa SafeStart da Epiroc, relatou problemas semelhantes. Em seu local de trabalho, as lesões registráveis caíram de 35 para oito por ano, mas ainda não foi possível reduzir as SIFs. “É como no futebol americano: avançar pelo campo não é tão difícil, mas as últimas 10 jardas podem ser complicadas”, comparou. Mas por que esse padrão prevalece tanto? Waddah Ghanem, Diretor Sênior da GCC Board Directors Institute, no Oriente Médio, baseia-se em algo chamado Efeito Hawthorne – que ocorre quando as pessoas se comportam de maneira diferente quando sabem que estão sendo observadas. Quando a gerência de sua empresa começou a se concentrar em acidentes com afastamento (LTIs) e KPIs de segurança ocupacional, percebeu que muitas pessoas estavam torcendo o pé ao descer as escadas. Com os dados ruins, isso prejudicou o sistema de segurança que focava apenas na segurança pessoal. “Como o foco estava nos acidentes com afastamento e isso era vinculado ao desempenho, os colaboradores se esforçavam ao máximo para não divulgar as pequenas lesões”, comentou. Para Larry Wilson, quando a empresa põe maior foco em uma métrica, sejam LTIs ou lesões registráveis, essa métrica acaba se tornando onipotente. “Os números começam a cair, mas ninguém está focando nas fatalidades”, destacou.

O problema de culpar as pessoas


As métricas são indicadores-chave da eficácia dos programas de segurança das organizações. Mas, e quando os relatórios de investigação de acidentes buscam encontrar culpados? “Muitas vezes, esses relatórios dizem que as pessoas não têm experiência suficiente e não são competentes. O pobre colaborador que morreu no acidente sempre é a pessoa a ser culpada”. Mas a pessoa que foi morta não pode ser (e muitas vezes não é) o problema. O problema tende a ser mais organizacional”, disse Pierre-Jean Paumard, Gerente de QHSE do Besix/Hitachi Zosen Inova Consortium, dos Emirados Árabes Unidos Salman Abdulla, vice-presidente executivo da Emirates Global Aluminium, tem a mesma visão. “Se você olhar para a maioria dos relatórios de investigação de quase acidentes, lesões e LTIs, quantos dirão que a causa raiz foram fatores organizacionais? Continuamos culpando as pessoas em vez de tentar consertar o sistema”, disse. “Se formos tímidos sobre as causas reais, incluindo decisões da liderança, não vamos gerenciar as fatalidades nem evitar as lesões graves”.
Continuamos culpando as pessoas em vez de tentar consertar o sistema.
Salman Abdulla, Vice-presidente executivo da Emirates Global Aluminium.

Em busca da causa raiz


Quando T.R. Murali começou em seu trabalho atual, a empresa estava comemorando quatro anos sem fatalidades – uma grande conquista. Ao mesmo tempo, eles estavam tendo muitos incidentes com guindastes. “Foi apenas uma questão de sorte esses incidentes não terem acabado em fatalidade”, comentou. E este é mais um motivo para abordar a causa raiz em relatórios de quase acidentes: não ficar esperando até que a sorte acabe. Independentemente de uma organização apresentar uma taxa de SIFs baixa, o que importa é se isso é resultado de um esforço intencional e deliberado para eliminá-los… ou se é apenas por acaso. Felizmente, a maioria dos palestrantes tomou medidas intencionais e deliberadas para reduzir a taxa de SIFs em seus locais de trabalho. Para saber um pouco mais sobre elas, Larry Wilson levantou a questão: eles revisitavam os “suspeitos mais frequentes” – como entrada em espaços confinados e trabalho em altura, por exemplo – ou saíram em busca de um lugar novo ou uma nova explicação? Houve consenso, entre os especialistas, de que o comprometimento da liderança e da alta administração é fundamental para derrubar as SIFs. Peter Batrowny, Consultor Líder da Shirley Parsons na América do Norte, explicou que a empresa se concentrou nos quase acidentes que tinham potencial para serem fatalidades. Para isso, fez uma análise dos processos do ponto de vista organizacional, dos relatórios de quase acidentes e das investigações de acidentes para saber se estavam realmente recebendo as causas latentes. Abdulla Marzooqi, Consultor Independente de HSE, contou que, quando trabalhava como Diretor Executivo de HSE no ADNOC Group, a alta direção revisou a missão de segurança da empresa e reforçou alguns de seus processos, com ótimos resultados.
Você tem que olhar para o indivíduo, em que estado ele está, no que ele está pensando. É preciso pensar nesse nível para derrubar completamente as SIFs.
Teg Matthews, Vice-Presidente da SafeStart.

É preciso olhar para cada colaborador


Isso não significa que não haja espaço para inovações. Teg Matthews, Vice-Presidente da SafeStart, adotou uma abordagem diferente. “Você chega a um ponto em que precisa olhar para outra coisa. Você tem que olhar para o indivíduo, em que estado ele está, no que ele está pensando. É preciso pensar nesse nível para derrubar completamente as SIFs”. Segundo Abdulla Marzooqi, as organizações geralmente olham para as áreas que consideram de alto risco – mas, em sua experiência, todos os incidentes graves vieram de “pequenas coisas”, às quais não prestamos atenção. Efetivamente, é a complacência levando os olhos ou a mente para longe da tarefa. Também é importante olhar para as coisas de um ponto de vista pessoal. “Ninguém está tentando morrer acidentalmente. Então, ou a pessoa não teve um reflexo, o reflexo não foi rápido o suficiente ou foi irrelevante. Ela estava em um lugar muito alto quando caiu, por exemplo”, destacou Larry Wilson. “Como profissionais de segurança, temos nos concentrado principalmente nos momentos em que os reflexos eram irrelevantes, mas não fizemos nada para ajudar as pessoas a obter o benefício deles – por exemplo, melhorando os hábitos com os olhos na tarefa”. Para diminuir as SIFs, é necessário olhar primeiro para os “suspeitos usuais” e revisar os processos e objetivos organizacionais, garantindo que todos estejam onde precisam estar. No entanto, de acordo com Alex Carnevale, Presidente da Dynacast, isso provavelmente não será suficiente. “É um bom lugar para começar, mas você precisará cavar um pouco mais fundo, olhar para o colaborador individualmente e garantir que ele tenha a competência necessária para o trabalho que está fazendo, incluindo habilidades e hábitos que ajudarão a evitar que ele cometa erros críticos quando se tornar complacente com os riscos”. Só então a taxa de SIFs poderá cair da mesma forma que as lesões registráveis.

Destaques icon-book

  • A maioria das lesões e fatalidades no trabalho tende a ser um problema organizacional. É importante parar de culpar as pessoas e começar a focar em melhorar o sistema.
  • Uma forma de prevenir lesões graves e fatalidades é ir atrás das causas raiz, mesmo que isso inclua a revisão das decisões da liderança.
  • A liderança e o comprometimento da alta administração são fundamentais para derrubar as SIFs.
  • Para reduzir completamente as SIFs, precisamos olhar para o indivíduo e o estado em que ele se encontra.
  • A maioria dos incidentes vêm de pequenas coisas, às quais muitas vezes não prestamos atenção.
  • Nossa falta de reflexos desempenha um papel importante nas SIFs. Ninguém tenta morrer acidentalmente – então, não obtivemos um reflexo, o reflexo não foi rápido o suficiente ou foi irrelevante.
  • É importante olhar para os trabalhadores e garantir que eles tenham a competência necessária para o trabalho que estão fazendo, incluindo habilidades e hábitos. Isso também ajudará a evitar que cometam erros críticos quando se tornarem complacentes com os riscos.
¹ Baseado em painéis SafeConnection na América do Norte, Europa, Oriente Médio e Ásia.
² Todas as opiniões aqui expressas são exclusivamente dos palestrantes. Eles não refletem necessariamente as opiniões ou pontos de vista da SafeStart e das empresas dos membros do painel.
³ Para obter mais informações sobre os Painéis de especialistas SafeConnection e assistir a sessões anteriores ou atuais, visite uk.safestart.com/safeconnection.
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