Alice Hamilton e o olhar que transformou a segurança ocupacional
Vivemos em uma era em que os avanços surgem na mesma velocidade em que giram as engrenagens do tempo. A Idade Moderna abriu caminho para profundas transformações sociais e econômicas, culminando em uma das mudanças mais significativas da história do trabalho: a Revolução Industrial. A partir dela, novas ideias, tecnologias e formas de produção passaram a movimentar o mundo, ampliando as possibilidades de desenvolvimento humano e social, especialmente a entrada massiva das mulheres no trabalho industrial. Mas, entre conhecimento, progresso e ferragens, é preciso voltar algumas centenas de anos e observar, com atenção, um momento decisivo dessa trajetória, quando a operária mais indispensável começou a adentrar os portões das grandes indústrias: a segurança.
O trabalho é um atributo inerente ao ser humano, a forma mais consciente de transformação do mundo ao nosso redor. Ao mesmo tempo, também se tornou um dos fatores mais influentes na saúde humana ao longo da história. Com o avanço da industrialização, dedicar atenção às consequências do trabalho não era prioridade, mesmo enquanto a demanda por mão de obra crescia de forma exponencial e proporcionalmente aos adoecimentos, que se tornavam cada vez mais evidentes.
Ainda assim, indo contra toda resistência que cegava os que prezavam pelos resultados acima de qualquer custo (e mesmo sendo altos custos), uma mulher se levantou para iniciar outra revolução, chamando atenção para os impactos do trabalho sobre a saúde dos trabalhadores: Alice Hamilton, considerada uma das pioneiras mais relevantes no campo da saúde e segurança ocupacional.
Bastou uma observação cuidadosa do ambiente de trabalho, associada aos padrões de risco e adoecimento, para que uma grande médica-pesquisadora rompesse com a complacência da época. Ainda que no campo da saúde ocupacional, a pesquisa de Alice, que identificou os perigos de substâncias tóxicas como mercúrio e chumbo para a saúde dos trabalhadores, foi a porta de entrada para que, com o transcorrer do tempo, passássemos a olhar para a segurança e o bem-estar integral do trabalhador, ampliando estudos para preservá-lo inclusive de acidentes, proporcionando mais qualidade no ambiente e na jornada de trabalho. Dito isso, o mundo precisa de mais Alices. Mais mulheres que atuem com percepção aguçada, escuta ativa e compromisso com o cuidado, a diversidade de experiências e perspectivas fortalece a segurança.
Pensando nisso, a SafeStart acredita que a segurança vai além de normas e equipamentos, ela começa no reconhecimento dos estados físicos e mentais (pressa, frustração, cansaço, complacência) que antecedem os erros, no desenvolvimento de habilidades que fortalecem o autocuidado e a tomada de decisão em tempo real.
Nossa equipe é composta por mulheres como Alice Hamilton: profissionais comprometidas com a segurança, capazes de reconhecer os fatores humanos e dotadas de habilidades preventivas, construindo ambientes onde o cuidado é valorizado. É admirável saber que uma líder feminina esteve na linha de frente da história da segurança ocupacional. E é ainda mais inspirador ver esse espaço se ampliar, com mais mulheres ocupando posições de liderança, influência e transformação na área.
Seguimos construindo, juntos, uma cultura de segurança mais atenta, mais humana e mais inovadora. A história continua sendo escrita e nós seguimos trabalhando para que, nela, o cuidado esteja sempre em primeiro lugar.