Quando descansar pode ser o grande aliado da segurança no trabalho
Em uma sociedade que valoriza o desempenho constante, ouvir ou dizer “não tenho tempo” tornou-se algo comum, muitas das vezes, inclusive, tido como sofisticado. Quando alguém profere essas três palavras juntas, transmite automaticamente a imagem de alguém produtivo. Como se não ter tempo nos concedesse um distintivo de relevância; afinal, trata-se de alguém extremamente ocupado, indispensável ou requisitado.
O distintivo do sucesso
Esse é um estilo de vida que antagoniza o que Foucault chamou de sociedade disciplinar, à qual o mundo esteve submetido na antiguidade ao seguir regras e proibições impostas por instituições que ditavam a maneira ideal e correta de se viver. Muito pelo contrário, o que esta geração exerce hoje é, segundo Byung-Chul Han — filósofo sul-coreano —, denominado de sociedade do desempenho em seu livro Sociedade do cansaço (2010), proporcionado pela tecnologia.
Em seu livro, Han afirma que o mundo digital abriu portas para as possibilidades, isto é, quando tudo parece possível, qualquer pausa sugere desperdício. Essa é uma das maiores e mais letais mazelas da nossa atualidade. As pessoas desaprenderam a descansar. O que era possibilidade tornou-se obrigatoriedade.
O que, à primeira vista, foi o grito de independência contra a exploração laboral tornou-se, devido a essa liberdade exacerbada, apenas a substituição do agente explorador; agora, cada um explora a si mesmo ao elevar o nível de autoexigência para alcançar metas e objetivos mais rapidamente. Pois, como já dito, a pausa tem sido a inimiga da produção. Han chama esse fenômeno de autoexploração. E isso explica por que surgem cada vez mais doenças e, inevitavelmente, acidentes também.
A ilusão da invencibilidade
Infelizmente, os super-heróis habitam os quadrinhos e os streamings; os superpoderes que tanto nos fascinam são meras fantasias. É preciso lembrar que os seres humanos têm limitações. A sirene mais confiável que alerta que esses limites foram ultrapassados é o cansaço. O corpo humano dá sinais claros de que os níveis de cansaço estão altos, como os bocejos frequentes e a sensação de peso nas pálpebras, movimentos e reações mais lentos, piloto automático e dificuldade de concentração. Portanto, quando ignorado, o cansaço se torna precursor de erros críticos que ameaçam a segurança pessoal, das pessoas ao redor e do próprio ambiente de trabalho.
A prevenção começa pela autopercepção
A metodologia SafeStart mostra que o cansaço compromete a atenção, reduz o tempo de reação e favorece os quatro erros críticos do programa: mente longe da tarefa, olhos longe da tarefa, exposição à linha de fogo e perda de equilíbrio, tração ou firmeza. Reconhecer esse estado antes que ele influencie nossas decisões é o primeiro passo para interromper essa sequência e prevenir acidentes. Quando o cansaço compromete a qualidade e a segurança, o descanso começa a ser parte do trabalho; afinal, é permitindo-se recuperar as forças e a energia que se consegue concluir as tarefas com êxito.
A pausa que permite a recuperação física e mental não é desperdício. Em atividades que exigem atenção, reconhecer a necessidade de descansar também faz parte da prevenção.
Em uma rotina que valoriza a hiperprodutividade, reconhecer os próprios limites também é uma forma de prevenção. A metodologia SafeStart ajuda pessoas e organizações a desenvolver habilidades para identificar estados humanos, reduzir erros críticos e tomar decisões mais seguras no trabalho e na vida cotidiana. Conheça como o SafeStart pode fortalecer a cultura de segurança da sua organização.