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Segurança e Indústria 4.0

O impacto que a tecnologia e a Indústria 4.0 exercem na segurança no local de trabalho é fascinante. No campo dos fatores humanos e desempenho de segurança, o que devemos fazer para enfrentar os desafios inevitáveis que estão por vir?

Sem dúvida, existem grandes pontos positivos para a segurança; como avanços tecnológicos que ajudam a manter os trabalhadores fora da linha de perigo. Já existem sistemas de EPI e de vigilância inteligentes, que ajudam a garantir que as pessoas vistam o equipamento adequado nos locais apropriados, assim como decisões sendo baseadas na análise de dados, reduzindo riscos e custos ao mesmo tempo. Essa lógica “melhor, mais barata, segura e confiável” também se aplicará eventualmente às tarefas manuais menos perigosas para as quais a automação tem sido tradicionalmente inacessível.

Existem benefícios para a saúde a longo prazo associados ao aumento de automação/ robotização, com menos incidentes e danos devido ao trabalho repetitivo. É possível também que alguns trabalhos mais perigosos simplesmente desapareçam. Porém, como veremos abaixo, isso não significa que podemos diminuir nossos esforços para aumentar a segurança; de fato, com novas tecnologias vêm novos desafios que exigem um foco renovado nos fatores humanos.

Quando se trata de números de trabalho, os especialistas se dividem em relação ao impacto a longo prazo da automação. No passado, os avanços tecnológicos aumentaram o número agregado de empregos na economia à medida que alguns empregos iam desaparecendo, mas outros novos emergiram em seu lugar.

No entanto, com o passar da indústria 4.0, as pessoas ainda serão claramente necessárias para projetar, construir, instalar, executar e manter as novas tecnologias; novas indústrias que ainda nem imaginamos também surgirão.

Ainda assim, a maioria dos especialistas concorda que, apesar das mudanças cada vez mais aceleradas, nos próximos dez anos ou mais não veremos nada tão radical no cenário laboral. Ainda precisaremos de pessoas para negociar riscos existentes e lidar com as próximas mudanças e perigos que o local de trabalho do futuro trará. Então, o que vai causar lesões no futuro? As mesmas coisas que causam lesões agora.

Existem apenas três possíveis razões que fazem com que as pessoas sofram lesões. Algo que você mesmo faz que o leva a se lesionar (o mais comum), uma ação de “outra pessoa” que leva você a sofrer uma lesão, ou algo não humano (por exemplo: o mal funcionamento de um equipamento, ou um desastre natural) que o leva a um incidente (Figura 1).

A maioria das lesões que ocorrem no local de trabalho acontece durante atividades cotidianas, como caminhar pelas instalações, subir ou descer escadas, esbarrar em objetos, em outras pessoas ou em algum equipamento em movimento/ veículos.

Estas são eventualidades que não podem ser projetadas de antemão ou não se pode aplicar uma proteção antecipada. As empresas geralmente alcançam uma estabilidade quando fazem mais do que fizeram no passado. Normalmente, as ações que reduziram significativamente as lesões a longo prazo perdem sua eficácia.

A tecnologia pode eventualmente nos levar além dessa estabilidade, mas antes de entrarmos em um estágio de implementação de airbag no uniforme de trabalho, que percebe uma queda enquanto ela ocorre, estes tipos de lesões persistirão.

 

ESTADOS CRÍTICOS DA MENTE

Por que e quando as pessoas se machucam? Para a maioria, trata-se de estados da mente e do corpo como a pressa, estar frustrado com alguma situação, o cansaço ou ter feito algo tão frequente por tanto tempo que nos tornamos complacentes e nos movemos no “piloto automático”.

Estamos programados para funcionar de maneira subconsciente na maior parte do tempo. Assim, a complacência se torna dominante quando nos acostumamos a fazer algo. De fato, a tecnologia pode até intensificar a complacência: se confiarmos na tecnologia para nos manter seguros, o que acontece quando ela falha ou está ausente?

OS QUATRO ERROS CRÍTICOS

Do ponto de vista da segurança, podemos simplificar nossas falhas em quatro erros críticos: Olhos longe da Tarefa, Mente longe da Tarefa, Estar ou entrar na Linha de Fogo ou Perder o Equilíbrio, a Tração ou a Firmeza.

Estes quatro erros são responsáveis por mais de 90% de todas as lesões (e muitos outros erros não relacionados à segurança também). Com apenas quatro erros em jogo, sendo que na maioria das vezes eles acontecem quando estamos em um ou mais dos quatro estados já mencionados, o problema de reduzir erros torna-se mais fácil de ser resolvido e, com isso, a chance de reduzir as lesões aumenta. (Figura 2).

REDUÇÃO DO ERRO

Para reduzir erros críticos, podemos introduzir novas habilidades e hábitos que irão combater esses estados e nos permitir evitar cometer esses erros. Usando os mesmos tipos de caminhos neurais que nos fazem continuar no “piloto automático”, podemos dar ao nosso cérebro técnicas à prova de falhas para quando estamos mais propensos a cometer um erro causador de lesões.

Uma das primeiras técnicas que levamos as pessoas a praticar é observar outras pessoas ao seu redor. Se vemos alguém em um dos quatro estados – pressa, frustração, cansaço ou complacência, isso ajuda a nos trazer de volta para o momento, a ficar fora de perigo e a refletir sobre nossas próprias ações.

Outra boa técnica é refletir sobre os pequenos erros que cometemos e procurarmos pela ligação com um dos quatro estados. Essas reflexões podem ser extremamente enriquecedoras.

Nós também trabalhamos para ajudar as pessoas a reconhecer quando estão em um dos três primeiros estados: pressa, frustração e cansaço (combater a complacência requer uma abordagem diferente). O avanço vem quando as pessoas aprendem a amplificar e ouvir a sua própria voz interior dizendo-lhes que algo parece estar errado. É reconhecer quando você está em um ou mais desses estados e agir antes que um erro aconteça, causando uma lesão.

Tudo isso leva tempo e prática e se tornará mais relevante com o aumento da tecnologia e, à medida que novos equipamentos e indústrias se tornem realidade. Independente do que aconteça, o fator humano permanece crítico na Indústria 4.0. Junto ao avanço das soluções na engenharia e tecnologia que tratam dos riscos inerentes, sempre será necessário ajudar as pessoas a desenvolverem as habilidades de segurança pessoal que lhes permitam lidar com o novo mundo.

Sobre o Autor

David Hughes é Diretor de Desenvolvimento da SafeStart no Reino Unido, na Irlanda e nos Países Nórdicos, além de gerenciar alguns dos maiores projetos globais da empresa. Profissional altamente experiente, David projetou, entregou e gerenciou projetos de consultoria, segurança comportamental, mudança de cultura e aprendizado e desenvolvimento desde 2007, trabalhando com empresas de diversos setores, como: Petróleo e Gás, Farmacêuticas, Química, Manufatura, Transporte e Logística, Alimentos, entre outras.

 

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